Tipos de Escritores

 TIPOS DE ESCRITORES



Escritor tem um "tipo"?!

Sim. Tanto no meio literário quanto no meio acadêmico existem "tipos" de escritores. Primeiramente, podemos classificar a escrita de duas formas: pelo método de trabalho (a forma como organizam o Processo Criativo) e pelo nicho de atuação (o que escrevem profissionalmente).
Dentro do Processo Criativo existem três tipos de escritores, os quais vamos abordar hoje.

Se você é escritor, roteirista, dramaturgo ou apenas se aventura em fóruns e mídias que debatem sobre o tema, com certeza já deve ter topado com essa tríade. Essas nomenclaturas nasceram dentro da cultua pop dos escritores ingleses e se difundiu fortemente no mercado editorial e na internet.

Em inglês as três formas são chamadas de Plotter, Pantser e Plantser (os equivalentes a Arquiteto, Jardineiro e Paisagista, ou também Planejadores, Exploradores e Híbridos).

Vem comigo que eu tenho um ponto.



Plotter (O Planejador/O Arquiteto):

A origem do nome vem do verbo em inglês "to plot" que significa "traçar", "planejar", "conspirar". Como substantivo, refere-se a história central de um livro ou um filme, o enredo.

Trata-se de um termo antigo dentro do meio literário. Escritores que usam escaletas, mapas mentais, esquemas narrativos, fichas de personagens sempre foram chamados de plotters (planejadores/ estruturadores).

O Arquiteto cria um esboço detalhado da história antes de começar a escrever, incluindo personagens, cenários, conflitos e a resolução. Essa abordagem pode ser útil para quem gosta de ter controle sobre a história e quer evitar buracos no enredo.

São escritores metódicos, pragmáticos, focados na organização e na estrutura de suas narrativas.



Plantser (O Híbrido/O Paisagista):

A origem do nome é bem recente e nasceu diretamente na internet e nas redes sociais. Trata-se de um portmanteau, uma figura de linguagem onde duas ou mais palavras são fundidas para criar um novo termo que combina os sons e os significados originais.
No caso, Plotter + Pantser = Plantser.

Os escritores perceberam que ninguém é 100% nenhum dos extremos do espectro; nem focados demais nas regras, nem caóticos demais. O Paisagista é aquele que planeja o mapa, os personagens e até conhece os caminhos da história, mas a rota exata, os diálogos e até mesmo as mudanças no percurso são sua verdadeira aventura.

Ele combina os elementos das outras duas abordagens, criando um esboço geral da história, mas deixando espaço para a improvisação. Isso permite ao escritor explorar ideias que surgem no meio do processo criativo.


Pantser (O Explorador/O Jardineiro):

A origem do nome vem junta com o início da aviação, entre os anos 1920 e 1930, antes que existissem radares e GPS modernos, os pilotos precisavam voar se guiando apenas pelo que viam e pelo instinto (sentindo a vibração da aeronave pelo assento). Daí, surgiu a expressão inglesa "flying by the seat of your pants" (voar pelo assento das calças), que significa fazer algo puramente pelo instinto, sem planejamento.

A comunidade de escritores pegou a palavra pants (calças) e criou o neologismo pantser. Ou seja, o pantser é aquele que escreve "ao sabor do vento" ou "pelo instinto das calças", descobrindo a história a medida que digita.

O Jardineiro é um escritor espontâneo, sem um plano prévio, deixando a história se desenvolver organicamente. Essa abordagem pode ser mais livre e criativa, permitindo que o escritor descubra a história.

Ele pode ter uma ideia geral de como tudo deve ser, mas deixa os detalhes se revelarem durante o processo.

Em resumo, não existe uma forma certa ou errada de escrever, e a escolha do método depende do estilo e preferências de cada escritor.

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